terça-feira, 30 de julho de 2013

O Quinteto Violado na Livraria Cultura





O QUINTETO VIOLADO NA LIVRARIA CULTURA
Fotografias de Clóvis Campêlo
Recife, 2008

sábado, 27 de julho de 2013

Lula no 5º Congresso Nacional da CUT








LULA NO 5º CONGRESSO NACIONAL DA CUT
Fotografias de Clóvis Campêlo
São Paulo, 1994

O que me atrai é o que me assusta


O QUE ME ATRAI É O QUE ME ASSUSTA

Clóvis Campêlo

Evoluir talvez seja quebrar paradigmas, romper convenções, desafiar a lógica. Se respeitarmos sempre as normas, o mundo não se move no rumo das mudanças. Seguir fielmente os modelos pré-concebidos que nos são impostos, talvez seja a melhor maneira de se apodrecer em vida e alcançar altos níveis de insatisfação pessoal.
Como já disse o poeta, gente é pra brilhar e não pra morrer de fome ou de tédio. Navegar contra a correnteza, no entanto, exige uma certa dose de coragem e de irresponsabilidade controlada. E o que mais nos poderá amedrontar nessa "contravenção" rumo à liberdade, será a percepção de que em alguns momentos fundamentais estaremos completamente sozinhos ou "mal" acompanhados.
Esse sentimento, porém, embora possa ser assustador, será o combustível necessário e que servirá de alimento aos espíritos inquietos e renovadores.
Assim sendo, o caminho da segurança não contemplará necessariamente a rota da felicidade.
Por outro lado, a felicidade poderá ser reconhecida nos atalhos acidentados de quem forja o próprio caminho caminhando.
Destoar dos padrões gerais e imobilizantes também exige uma certa dose de cautela para que a carapuça da discriminação não nos caia sobre as cabeças. Os homens "corretos", com suas leis anti-naturais, não costumam perdoar.
Enfim, sentir-se livre talvez seja ter a certeza de que somos definitivamente responsáveis por nossas vidas, nossos riscos, nossos terrores e êxtases.
Viver em comunhão conosco mesmos e coerentes com os nossos planos de vida, só nos custa isso.
Que o fogo das nossas vidas seja como a chama de uma vela acesa, que para arder plenamente se auto-consome.
Não precisamos ter medo da felicidade e da auto-satisfação.

Recife, 2009

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Um jogo de palavras


UM JOGO DE PALAVRAS

Clóvis Campêlo

Que o futebol veio parar no Brasil, na virada do século XX, trazido da Inglaterra pelos filhos da nossa aristocracia, todos já sabem. Como consequência, durante décadas, as palavras de origem inglesa predominaram na nossa terminologia futebolística até se aportuguesarem ou serem substituídas por palavras da nossa língua.
Desse modo, durante muito tempo, zagueiro foi full-back; chuteira, boots; centroavante, center-four; cabeça de área, center-half; escanteio, corner; empate, draw; finta, dribbling; goleiro, goal-keeper; toque de mão, hands; pontapé inicial, kick-off; bandeirinha,linesman; jogo, match; juiz, referee; impedimento, off-side; jogador, player; cara ou coroa, toss; apito,whistle; etc.
Essa linguagem "antiga" nos veio novamente à tona durante a Copa do Mundo dos Estados Unidos, em 1994, e durante a Olimpíada de Atlanta, em 1996, ambas na terra de Tio Sam. Utilizada pela televisão americana nas transmissões, constituiu-se novidade para as gerações mais recentes, enquanto que para as gerações mais velhas trouxe recordações dos tempos voluntariosos do nosso futebol.
A influência da televisão na utilização de novos termos no jargão futebolístico, aliás, deu-se a partir da Copa do Mundo de 1970, no México, a primeira a ser televisionada para quase todo o planeta. Quem não se lembra do famoso repeteco que a televisão mexicana exibia no vídeo a cada jogada repetida na telinha? Era o progresso tecnológico operando o milagre da multiplicação das imagens e influenciando diretamente o nosso modo de falar.

ORIGENS E EQUÍVOCOS

De um modo geral, dos neologismos criados e que enriqueceram o linguajar do futebol alguns merecem destaque, como, por exemplo, a palavra gandula. Os modernos dicionários definem o termo como "menino incumbido de ir buscar e devolver a bola que sai de campo". Poucos sabem , porém, que o termo originou-se de um jogador argentino chamado Gandula que atuou no Vasco da Gama, do Rio de Janeiro. Muito gentil, ele apanhava a bola fora do campo para entregar ao companheiro de profissão encarregado de repô-la em jogo, mesmo quando era um adversário.
Dois outros termos interessantes, mas que não vingaram no gosto popular, foram balípodo e ludopédio. Tanto o primeiro, formado com os radicais gregos bales (bola) epodos (pé), quanto o segundo, do latim ludo (jogo) epedes (pé), foram criados pelos puristas de plantão para substituir o anglicismo futebol, sem sucesso. Consta ainda que o escritor Lima Barreto, por não suportar o esporte bretão, criou a palavra bolapé, usada por ele com um sentido pejorativo. Avesso às novidades modernosas, o escritor carioca via no futebol uma transgressão aos costumes da época.
Alguns outros termos criados são interessantes por fazerem referência direta ou indireta a jogadores que marcaram época no futebol brasileiro de outrora, embora muito destes termos já estejam em desuso. É o caso de belinada, rebatida violenta conforme o estilo de Bellini, o nosso capitão na Copa de 1958; charles, jogada inventada pelo hoje conhecido Charles Miller e que é feita com a parte lateral externa do pé; domingada, jogada defensiva falha e que foge ao estilo clássico com que Domingos da Guia domiva a apelota (outros, porém, consideram que o termo originou-se como uma referência pejorativa ao penalte sem bola cometido pelo grande jogador brasileiro na Copa de 1938);elástico, drible rapidíssimo inventado por Roberto Rivelino; jogar o fino, jogar bem e com inteligência, numa referência ao antigo jogador Danilo Alvim, que, por sua magreza, era conhecido como "o fino da bola";folha-seca, chute de muito efeito, com a bola parada, inventado pelo bicampeão Didi, e, garrinchada, usado quando um jogador tentava, sem sucesso, imitar os dribles desconcertantes de Mané Garrincha.

OUTRAS PALAVRAS

Outros termos tornam-se interessantes por fugirem ao sentido original, assumindo outras conotações: amarelar(correr do jogo por medo ou nervosismo); armandinho(jogador sem ímpeto ofensivo); arrepiar (jogada brusca e decidida na defesa); banheira (impedimento); bonde, perna-de-pau e cabeça-de-bagre (jogador de baixo nível técnico); cartola (dirigente de clube ou federação);catimba e cera (atitudes retardam o jogo e irritam o adversário); chapéu, lençol e banho-de-cuia (jogada aérea de efeito); frango ou peru (gol tomado facilmente pelo goleiro); morcego ou chupa-sangue (jogador que não esforça); traíra (jogador que se vende ao adversário); corta-luz, chuveirinho, etc.
Um grande criador de termos e máximas do futebol foi o falecido técnico Gentil Cardoso, que marcou época no futebol brasileiro nas décadas de 50 e 60. É dele, por exemplo, a expressão dar zebra, criada para determinar um resultado inesperado, numa referência ao clandestino jogo-do-bicho, já que a zebra não se encontra entre os vinte e cinco animais que o compõem.
Para finalizar, o termo canarinha, utilizado hoje para designar a seleção brasileira de futebol, devido a cor amarela das camisas, só surgiu a partir da Copa de Mundo de 1954. Antes, a nossa seleção utilizava camisas brancas como primeiro uniforme, abandonadas após a fatídica derrota na Copa de 1950. Para o nosso escrete,amarelar foi uma atitude que deu certo.

Publicado no jornal Folha de Pernambuco, Recife, 28.05.1998, 5ª feira, Caderno Copa 98, pág. 2.

Paredes


PAREDES
Fotografia de Clóvis Campêlo
Recife, 2013

terça-feira, 23 de julho de 2013

Paulo Cavalcanti






PAULO CAVALCANTI
Fotografias de Clóvis Campêlo
Recife, 1991

domingo, 21 de julho de 2013

Retratos do Recife











RETRATOS DO RECIFE
Fotografias de Clóvis Campêlo
Recife, 2013

O número 1


O NÚMERO 1
Fotografia de Clóvis Campêlo
Recife, 1992

sábado, 20 de julho de 2013

O querer


O QUERER

Clóvis Campêlo

Não te quero redundante,
cuspindo o óbvio e olhando
apenas o que os olhos vêem.
Quero-te inquisidora,
virando-se pelo avesso,
saindo da boca pra fora,
buscando a resposta
não importa qual seja
o preço.

Não te quero rotineira,
trilhando a mesmice que já
nos servem pronta e empacotada.
Quero-te a afrontar o perigo,
desbravadora dos sete mares,
correndo risco de vida
pois navegar é preciso.

Não te quero a lamentar
o tempo desperdiçado,
com os olhos cheios de nada.
Quero-te alvissareira
a desenhar no presente
o branco linho do futuro
qual ágil bordadeira.

Recife, 1991

Composição em três cores


COMPOSIÇÃO EM TRÊS CORES
Fotografia de Clóvis Campêlo
Recife, 1992

- Postagem revisada em 02/02/2018

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Raízes


RAÍZES
Fotografia de Clóvis Campêlo
Recife, 1992


Ignácio de Loyola Brandão


IGNÁCIO DE LOYOLA BRANDÃO
Fotografia de Clóvis Campêlo
Recife, 1991

quinta-feira, 18 de julho de 2013

O bicho


O BICHO
Fotografia de Clóvis Campêlo
Recife, 1992

- Postagem revisada e atualizada em 23/01/2018

Revoluções por minuto


REVOLUÇÕES POR MINUTO
Fotografia de Clóvis Campêlo
Recife, 2013

As árvores do Recife e as meninas da China


AS ÁRVORES DO RECIFE E AS MENINAS DA CHINA

Clóvis Campêlo

Se é verdade que o prefeito de Nova York está plantando um milhão de árvores pelas ruas da cidade americana, por que não fazermos o mesmo no Recife?
Apesar de ainda ser uma cidade bem arborizada, a nossa Mauriceia há muito teve a sua cobertura vegetal primitiva modificada pela invasão de árvores exóticas e estranhas à flora natural da Mata Atlântica.
Assim, entendo que replantar a cidade seria devolver ao seu solo estas espécies perdidas ao longo dos anos.
Quem sabe, assim, restaurada a sua flora, não teríamos também de volta a fauna sumida ? Ao menos os passáros que ocupavam os nossos quintais nos anos que já se foram e que não voltam mais: cibitos, sanhaçus, canários, curiós, patativas goladas e choronas, papa-capins, caboclinhos, sangue-de-boi e outros tantos que perderam espaços para os pardais alienígenas.
Repensar a cidade também pode passar por aí.
Mudando de assunto, nos últimos dias a imprensa brasileira tem falado muitas bobagens sobre a China. Por conta da Olimpíadas de Pequim, talvez.
Essa história das duas chinesinhas cantoras, por exemplo, a que cantou e a que encantou, é uma delas.
Eu, porém, com a minha ingenuidade de caboclo recifense, acho apenas que o talento de uma complementou o talento da outra com sucesso e bom-gosto. E ambas sorriram felizes, no final feliz. Afinal, o espetáculo não pode parar.
O ideário do mundo ocidental moderno gosta de se alimentar destas besteiras sem fundamentos e suas falsas indignações.
Enquanto isso, na sala de injustiças, os vereadores do Recife estão saqueando o erário público municipal...
E haja saco para aguentarmos tudo isso.


Obs.: Texto publicado originalmente no blog Inútil Paisagem, em 16/8/2008.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Na Festa de Nossa Senhora do Carmo











NA FESTA DE NOSSA SENHORA DO CARMO
Fotografias de Clóvis Campêlo
Recife, 2013

terça-feira, 16 de julho de 2013

A nave


Fotografia de Clóvis Campêlo / 1992

A NAVE

Clóvis Campêlo

O desenho acima poderia ser visto como uma nave espacial, ou mesmo como uma água-viva, uma caravela singrando algum mar de algum planeta amarelo. Afinal, por que não dar asas à imaginação?
Além do mais, se a fotografia nasceu de um delírio dos pintores renascentistas  de quererem reproduzir fielmente o mundo em que viviam, por que não podemos subverter essa ordem e e dar "vida" a grafia subversiva dos pichadores de paredes urbanas?
Formalmente, assim a Wikipédia descreve o ato de pichar paredes: "Pichação (amiúde grafado incorretamente com x: pixação) é o ato de escrever ou rabiscar sobre muros, fachadas de edificações, asfalto de ruas ou monumentos, usando tinta em spray aerossol, dificilmente removível, estêncil ou mesmo rolo de tinta. No geral, são escritas frases de protesto ou insulto, assinaturas pessoais ou mesmo declarações de amor, também utilizada como forma de demarcação de territórios entre grupos – às vezes gangues rivais".
Perguntamos nós: da transgressão dos pichadores pode nascer a arte? A fotografia acima a isso se propõe, juntamente com todas as outras fotografias da série Paredes: fazer uma leitura positiva das pichações e tentar ver nelas composições dignas de registros.
O enquadramento do fotógrafo, aliás, definindo o que deve ficar dentro da moldura da fotografia e o que ficará fora, já é uma leitura possível e uma interpretação criativa do rabisco.
Esse desenho que foi flagrado em uma rua qualquer da cidade do Recife, possivelmente não mais existirá. A necessidade de padronização e de limpeza é uma constante na mente do homem urbano moderno, numa tentativa inútil de tornar a urbe mais agradável.
Ficou, no entanto, o seu registro fotográfico real e fiel,e ao mesmo tempo aberto para as mais diversas interpretações, mostrando que a fotografia também pode sugerir novidades.
Nem todos pensam assim, porém. Segundo o Blog do Jamildo, em postagem do dia 16/3/2017, diz o seguinte: "Com o intuito de inibir a ação de pichadores no Recife, o vereador Romerinho Jatobá (PROS) deu entrada para instaurar O Programa de Combate à Pichações na capital pernambucana. Em São Paulo, ações do prefeito João Dória (PSDB) para acabar pichações que acabaram também grafites têm provocado polêmica e renderam ao tucano o apelido sarcástico de "Doria Gray". A ação no Recife também visa o enfrentamento à poluição visual e à degradação paisagística, causados pelas pichações nos espaços públicos e privados. Porém, ficam excluídos dos programas os grafites realizados com o objetivo de valorizar o patrimônio público ou privado mediante manifestação artística, desde que consentida pelo proprietário e, quando couber, pelo locatário ou arrendatário do bem privado. No caso de patrimônio público, é necessária autorização do órgão responsável pela preservação e conservação do patrimônio histórico e artístico".
E você, caro leitor, o que acha desse assunto?


segunda-feira, 15 de julho de 2013

Composição em amarelo


COMPOSIÇÃO EM AMARELO
Fotografia de Clóvis Campêlo
Recife, 1992


sábado, 13 de julho de 2013

A Ponte Giratória do Recife


A PONTE GIRATÓRIA DO RECIFE

Clóvis Campêlo

A Ponte Giratória do Recife foi inaugurada no dia 5 de dezembro de 1923, ligando o Recife Antigo ao bairro de São José. Funcionou até a década de 70, quando foi substituída pela ponte atual, denominada de 12 de setembro, data que lembra o dia solene da inauguração das reformas do porto do Recife, em 1918, quando o paquete São Paulo, do Lloyd Brasileiro, atracou no cais do Armazém 9.
A sua construção foi decidida juntamente com outras obras que serviriam de apoio à infra-estrutura do porto, modernizado pela Societé de Construction du Port de Pernambuco.
Foi construída devido à necessidade de atender à passagem das embarcações veleiras, que aportavam no antigo Cais do Abacaxi, hoje Cais de Santa Rita, e no Cais do Colégio, na atual Praça Dezessete. Ao mesmo tempo, a sua baixa estatura permitia o tráfego de trens, automóveis e pedestres, em pistas separadas. Para se evitar acidentes, antes da ponte girar, soava uma sirene e suas cabeceiras eram fechada à passagem de veículos e pessoas através de correntes de onde pendiam avisos alertando motoristas e pedestres.
Com o tempo e com o aumento do tráfego, a ponte foi se deteriorando, as suas engrenagens deixaram e funcionar, sendo necessária a sua substituição por outra ponte fixa, mais larga e mais moderna.
Com a desativação da Ponte Giratória, também foram desativados os Cais do Colégio e do Abacaxi, sendo este último aterrado para a construção de um grande armazém.
Conta a lenda que na antiga Ponte Giratória existia um mero abarrancado, que roncava à noite, aterrorizando os pescadores recifenses. Verdade ou não, esse peixe nunca foi pescado.


Recife, 2009