terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

O refém


Escultura de Francisco Brennand
Fotografia de Clóvis Campêlo/2007

O REFÉM

Clóvis Campêlo

Para Alberto da Cunha Melo

Lembrava apenas do silêncio,
promessas nunca as fizera,
aquela luz era uma quimera,
sobre o escuro estava pênsil.

Não adiantaram os tratados,
angústias antes do mergulho,
o corpo agora era um entulho,
inteiro, mas dilacerado.

Sabia de todos os pecados,
lera-os em todos os livros,
compunham agora o seu crivo,
eternamente o seu legado.

Não adiantaram as palavras,
fazer-se cosmos, demiurgo,
restava-lhe agora o expurgo
resultante daquela lavra.

Recife, 2007


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